Saúde Hormonal

LH e FSH no homem: o que são, para que serve o exame, o que significa alto ou baixo e o que fazer

Dr. Rodrigo Neves 31 de outubro de 2026 Leitura: 11 min

Resposta direta

LH e FSH são as gonadotrofinas (hormônios que a hipófise, glândula na base do cérebro, envia aos testículos): o LH comanda a produção de testosterona e o FSH, a de espermatozoides. No homem, o exame mostra onde está a falha: testosterona baixa com LH e FSH altos aponta para o testículo; com LH e FSH baixos ou normais, para o comando do cérebro.

Quem faz reposição de testosterona costuma levar um susto ao ver o LH e o FSH quase zerados no laudo. Quem tem a testosterona baixa sem explicação, às vezes, vê os dois lá em cima. São os mesmos dois exames, e cada combinação conta uma história diferente sobre onde o problema está.

Aqui eu explico o que são o LH e o FSH, como ler cada combinação com a testosterona, o que o FSH diz sobre a fertilidade e por que os dois caem na reposição. O conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica.

LH e FSH fora da faixa no seu exame?

Agende sua consulta com o Dr. Rodrigo para ler o LH e o FSH junto com a testosterona e descobrir se a origem está no testículo ou no comando do cérebro.

Agendar pelo WhatsApp

O que são LH e FSH e como funciona o eixo hormonal do homem?

LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante) são as gonadotrofinas, os hormônios que a hipófise, uma glândula pequena na base do cérebro, manda aos testículos. Acima da hipófise está o hipotálamo, que libera em pulsos o GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas), o sinal que faz a hipófise produzir os dois. É o eixo hipotálamo-hipófise-testículo.

Cada gonadotrofina tem um alvo. O LH age nas células de Leydig do testículo e faz essas células fabricarem a testosterona. O FSH age nas células de Sertoli, que sustentam a formação dos espermatozoides, e é um dos principais reguladores dessa produção. É a descrição da diretriz de deficiência de testosterona da Associação Americana de Urologia (AUA), de 2018, revisada e confirmada em 2024.

O eixo funciona como um termostato. A testosterona e o estradiol que nasce dela voltam ao hipotálamo e à hipófise e freiam a produção de LH. Quando o testículo produz pouco, o freio afrouxa e o LH sobe; quando chega testosterona de fora, o freio aperta e o LH e o FSH caem.

Para que serve o exame de LH e FSH no homem?

A principal função é localizar a origem da testosterona baixa. A diretriz da Endocrine Society, sociedade americana de endocrinologia, de 2018, recomenda distinguir o hipogonadismo primário (falha no próprio testículo) do secundário (falha no comando da hipófise e do hipotálamo) medindo o LH e o FSH. Hipogonadismo é o nome médico para a produção insuficiente de testosterona. A AUA recomenda medir o LH em todo homem com testosterona baixa, e o posicionamento brasileiro de 2026, da SBEM, da SBU e da ABEMSS, recomenda dosar o FSH e o LH com o mesmo objetivo.

A diretriz europeia de urologia (EAU), na edição de 2026, recomenda dosar testosterona total, FSH e LH em todos os homens com contagem baixa de espermatozoides ou sem espermatozoides no sêmen. A lista completa do que se pede antes de uma reposição está em exames para reposição hormonal masculina.

Qual é o valor normal de LH e FSH no homem?

Não existe um número universal. A faixa muda com o laboratório, com o método e com a idade, e o resultado se compara com a faixa impressa no próprio laudo. A Endocrine Society registra que a maioria dos laboratórios mede LH e FSH por imunoensaio (teste com anticorpos), com sensibilidade suficiente para separar valores normais de baixos.

Como exemplo, a MedlinePlus, enciclopédia médica da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, cita para o homem adulto um FSH de 1,5 a 12,4 mUI/mL e, acima dos 18 anos, um LH de 1,8 a 8,6 UI/L, com o aviso de que as faixas variam entre laboratórios.

Mais importante que o número isolado é a combinação. Um LH "normal" ao lado de uma testosterona baixa não tranquiliza: as diretrizes chamam esse LH de inapropriadamente normal, porque o esperado seria que ele subisse para compensar.

Testosterona baixa com LH e FSH altos: o que significa?

Significa que o cérebro está mandando o sinal, em volume alto, e o testículo não está respondendo. É o hipogonadismo primário, também chamado hipergonadotrófico. A AUA lista como causas as alterações congênitas, das quais a síndrome de Klinefelter (homem que nasce com um cromossomo X a mais) é a mais comum, a retirada dos dois testículos, a radioterapia e a quimioterapia, o trauma, as infecções e a lesão autoimune do testículo. Quando a causa não aparece na história, a Endocrine Society orienta pedir o cariótipo (o exame dos cromossomos), principalmente se o testículo tiver menos de 6 mL de volume.

A AUA lembra que o hipogonadismo primário não impede a reposição de testosterona. O que muda é a fertilidade: segundo a Endocrine Society, o tratamento com gonadotrofinas consegue estimular a produção de espermatozoides no hipogonadismo secundário, mas não no primário. Por isso o tipo de hipogonadismo pesa tanto na conversa sobre filhos.

Testosterona normal com LH alto: o hipogonadismo compensado

Existe um meio-termo: a testosterona ainda dentro da faixa, sustentada por um LH acima do normal, como se o cérebro precisasse gritar para o testículo entregar o mesmo resultado. No Estudo Europeu do Envelhecimento Masculino (EMAS), publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, em 2010, com 3.369 homens de 40 a 79 anos, esse quadro apareceu em 9,5% dos participantes, foi mais comum nos mais velhos e se associou mais a sintomas físicos do que sexuais. A diretriz europeia de 2026 registra que o significado clínico desse estado ainda não está claro, e por isso o quadro pede acompanhamento.

FSH alto no homem: o que significa para a produção de espermatozoides?

O FSH funciona como um marcador da fábrica de espermatozoides. A diretriz europeia de 2026 descreve que, em geral, o FSH tem relação inversa com o número de espermatogônias (as células que dão origem aos espermatozoides): quando elas estão ausentes ou muito reduzidas, o FSH costuma subir. A AUA escreve que a produção normal de espermatozoides costuma vir com FSH na faixa baixa ou normal e que o FSH alto diante da testosterona baixa costuma indicar produção comprometida, situação em que se considera o espermograma.

O FSH pode subir também com a testosterona normal: segundo a diretriz europeia, o homem com falha testicular costuma ter FSH e LH altos, com ou sem testosterona baixa. E o número não fecha prognóstico. A mesma diretriz avisa que o FSH não prevê com precisão se haverá espermatozoides numa biópsia do testículo e que homens sem espermatozoides no sêmen e com FSH alto ainda podem ter áreas de produção dentro do testículo. Por isso o FSH alto pede espermograma e avaliação reprodutiva antes de qualquer conclusão.

LH e FSH baixos ou normais com testosterona baixa: o que investigar?

Nesse caso o testículo pode estar apto, mas não está recebendo o sinal. É o hipogonadismo secundário, ou hipogonadotrófico. No mesmo estudo europeu, ele foi o tipo mais frequente, em 11,8% dos homens, e o índice de massa corporal de 30 ou mais, a faixa da obesidade, se associou fortemente a ele.

A investigação segue as diretrizes. A Endocrine Society orienta dosar a prolactina (hormônio da hipófise que, em excesso, freia o LH) e a saturação de ferro, para afastar sobrecarga de ferro, e, em alguns casos, avaliar as outras funções da hipófise e fazer ressonância da sela turca, onde ela fica. O posicionamento brasileiro acrescenta a função da tireoide. A AUA indica ressonância da hipófise quando a testosterona total está abaixo de 150 ng/dL com LH baixo ou normal, mesmo com prolactina normal.

Entre as causas que a Endocrine Society chama de funcionais, potencialmente reversíveis, estão a obesidade grave, alguns distúrbios do sono, doenças sistêmicas, desnutrição ou exercício excessivo e o uso de opioides, corticoides e anabolizantes. O detalhe de cada causa, com a idade em que pesa mais, está em testosterona baixa no homem jovem.

Por que LH e FSH caem na reposição de testosterona e com anabolizante?

Porque o hormônio que chega de fora aciona o freio do eixo. A AUA descreve que a testosterona exógena suprime o eixo hipotálamo-hipófise-testículo e a produção de testosterona dentro do testículo, e o posicionamento brasileiro afirma que ela suprime o eixo e, em consequência, prejudica a produção de espermatozoides. LH e FSH baixos durante a reposição são, portanto, o efeito esperado do tratamento.

Com o anabolizante acontece o mesmo. A declaração científica da Endocrine Society de 2014 sobre substâncias para desempenho registra que a supressão do LH e do FSH pelos anabolizantes pode vir acompanhada de queda da produção de espermatozoides e infertilidade, e que, depois de uso prolongado, o eixo pode ficar suprimido por meses ou anos. Por isso, um laudo com LH e FSH muito baixos ao lado de uma testosterona alta levanta, antes de tudo, a pergunta sobre hormônio vindo de fora.

Na fertilidade, a reposição reduz a produção de espermatozoides, e as diretrizes recomendam não iniciá-la em quem planeja ter filhos em breve, tema do artigo sobre testosterona e fertilidade.

Como e quando colher o exame de LH e FSH?

No homem, LH e FSH costumam sair da mesma coleta da testosterona, e quem dita o preparo é a testosterona: de manhã, entre 7 e 10 horas, em jejum, com repetição em outra manhã, como orienta o posicionamento brasileiro. O preparo de cada hormônio está reunido em exame hormonal precisa de jejum.

Dois cuidados são específicos. A biotina, vitamina comum em polivitamínicos e suplementos, interfere nos testes de LH e FSH e pode dar resultado falsamente alto ou baixo; a Endocrine Society orienta suspendê-la pelo menos 72 horas antes, combinado com o médico. E remédios e hormônios em uso, como testosterona e DHEA, mudam o resultado e precisam constar no pedido. Nenhum remédio deve ser suspenso por conta própria.

Em quem já faz reposição, LH e FSH baixos não revelam por que a testosterona caiu no início; essa investigação rende mais antes de começar, junto com a testosterona total e livre, como explico em testosterona total e livre.

Como é feita a avaliação no consultório

Na consulta, em Alto de Pinheiros, São Paulo, o LH e o FSH são lidos dentro da história: há quanto tempo os sintomas existem, sono, peso, remédios e suplementos, uso de testosterona ou anabolizante, caxumba ou trauma nos testículos e o plano de ter filhos.

O exame físico avalia testículos, pelos, mamas e gordura, e a bioimpedância estima gordura e músculo. Os exames de sangue seguem o desenho das diretrizes: testosterona total repetida de manhã, SHBG e albumina para a testosterona livre calculada, LH e FSH na mesma coleta e, conforme a combinação, prolactina, ferro, tireoide, cariótipo ou espermograma.

Com o tipo de hipogonadismo definido, o plano trata o que está por trás do número. Confirmada a deficiência com sintomas, a decisão sobre reposição hormonal é médica e individual, pesando fertilidade, hematócrito e próstata, com acompanhamento. O caminho completo está no guia de reposição hormonal masculina.

Perguntas frequentes

Exame de LH e FSH precisa de jejum?

No homem, o LH e o FSH costumam ser colhidos junto com a testosterona, e a testosterona pede coleta de manhã, entre 7 e 10 horas, em jejum, segundo o posicionamento brasileiro de 2026. Por isso a coleta inteira segue essa regra. A biotina pede pausa de pelo menos 72 horas antes, combinada com o médico. Os demais cuidados estão em exame hormonal precisa de jejum.

Como aumentar o LH e o FSH no homem?

Depende do que derrubou os dois. Quando a causa é o excesso de peso, uma meta-análise de 2013 associou a perda de peso ao aumento das gonadotrofinas e da testosterona. Prolactina alta, opioides, corticoides e anabolizantes são investigados e tratados com o médico. Remédios que estimulam o próprio eixo existem, mas a indicação é médica, como explico em testosterona e fertilidade.

FSH alto no homem: dá para baixar?

Nas diretrizes citadas neste artigo, o foco diante do FSH alto está em investigar a causa, no testículo e na produção de espermatozoides; nenhuma delas trata o FSH isoladamente como alvo de tratamento. O caminho é descobrir a causa, com exame físico, espermograma e, conforme o caso, cariótipo. A diretriz europeia lembra que FSH alto não exclui a presença de áreas de produção dentro do testículo.

LH alto no homem dá sintomas?

O LH em si não provoca sintomas. O que aparece vem do testículo que responde pouco: com a testosterona já baixa, surgem queda de libido, cansaço e perda de força. No Estudo Europeu do Envelhecimento Masculino, os homens com testosterona normal e LH alto tinham mais sintomas físicos do que sexuais.

Qual a diferença entre LH e FSH no homem e na mulher?

Os hormônios são os mesmos e saem da mesma hipófise, mas os alvos mudam. No homem, o LH comanda a testosterona e o FSH, os espermatozoides, e a coleta não depende de data. Na mulher, eles regem o ciclo e a ovulação, e o FSH tem dia certo para ser colhido, como explico em exame para saber se está na menopausa.

Conclusão

LH e FSH são o recado que o cérebro manda aos testículos, e o exame mostra se o recado está saindo e se está sendo atendido. Testosterona baixa com os dois altos aponta para o testículo; com os dois baixos ou normais, para o comando, com prolactina, ferro, hipófise e peso na investigação. Na reposição e com anabolizante, LH e FSH baixos são o efeito esperado do hormônio de fora, e por isso o melhor momento de dosar os dois é antes de começar.

Referências

  1. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/
  2. Mulhall JP, Trost LW, Brannigan RE, et al. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. J Urol. 2018;200(2):423-432. Revisada e com validade confirmada pela AUA em 2024. https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/testosterone-deficiency-guideline
  3. Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF, et al. Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). Int Braz J Urol. 2026;52(3). doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610. https://www.scielo.br/j/ibju/a/z3hQd43gJt7b9Ck76ccgxNf/?lang=en
  4. European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2026. Capítulo Male Infertility (seção 11.3.4, Hormonal determinations, e recomendações da seção 11.3). https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health/chapter/male-infertility
  5. European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2026. Capítulo Male Hypogonadism (seção 3.1.3, Classification). https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health/chapter/male-hypogonadism
  6. Tajar A, Forti G, O'Neill TW, et al; EMAS Group. Characteristics of secondary, primary, and compensated hypogonadism in aging men: evidence from the European Male Ageing Study. J Clin Endocrinol Metab. 2010;95(4):1810-1818. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20173018/
  7. Pope HG Jr, Wood RI, Rogol A, Nyberg F, Bowers L, Bhasin S. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. Endocr Rev. 2014;35(3):341-375. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24423981/
  8. Corona G, Rastrelli G, Monami M, et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. Eur J Endocrinol. 2013;168(6):829-843. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/
  9. MedlinePlus. Follicle-stimulating hormone (FSH) blood test. U.S. National Library of Medicine (revisão de 18/08/2025). https://medlineplus.gov/ency/article/003710.htm
  10. MedlinePlus. Luteinizing hormone (LH) blood test. U.S. National Library of Medicine (revisão de 18/08/2025). https://medlineplus.gov/ency/article/003708.htm

Entender a causa antes de decidir o tratamento

Agende sua consulta com o Dr. Rodrigo: a avaliação junta história, exame físico e o conjunto dos hormônios para definir o caminho, inclusive se você pensa em ter filhos.

Agendar pelo WhatsApp
R

Dr. Rodrigo Neves

Médico, CRM-SP 160969. Atua em reposição hormonal, longevidade e saúde metabólica. Mais de 10.000 pacientes atendidos. Conheça o Dr. Rodrigo Neves

Usamos cookies para melhorar sua experiência e medir nossas campanhas. Saiba mais na Política de Privacidade.