LH e FSH no homem: o que são, para que serve o exame, o que significa alto ou baixo e o que fazer
Resposta direta
LH e FSH são as gonadotrofinas (hormônios que a hipófise, glândula na base do cérebro, envia aos testículos): o LH comanda a produção de testosterona e o FSH, a de espermatozoides. No homem, o exame mostra onde está a falha: testosterona baixa com LH e FSH altos aponta para o testículo; com LH e FSH baixos ou normais, para o comando do cérebro.
Quem faz reposição de testosterona costuma levar um susto ao ver o LH e o FSH quase zerados no laudo. Quem tem a testosterona baixa sem explicação, às vezes, vê os dois lá em cima. São os mesmos dois exames, e cada combinação conta uma história diferente sobre onde o problema está.
Aqui eu explico o que são o LH e o FSH, como ler cada combinação com a testosterona, o que o FSH diz sobre a fertilidade e por que os dois caem na reposição. O conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica.
LH e FSH fora da faixa no seu exame?
Agende sua consulta com o Dr. Rodrigo para ler o LH e o FSH junto com a testosterona e descobrir se a origem está no testículo ou no comando do cérebro.
Agendar pelo WhatsAppEste artigo faz parte do guia de reposição hormonal masculina do Dr. Rodrigo Neves. Consultório em Alto de Pinheiros, São Paulo. Livro do Dr. Rodrigo Neves sobre o tema: Testosterona Depois dos 40.
O que são LH e FSH e como funciona o eixo hormonal do homem?
LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante) são as gonadotrofinas, os hormônios que a hipófise, uma glândula pequena na base do cérebro, manda aos testículos. Acima da hipófise está o hipotálamo, que libera em pulsos o GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas), o sinal que faz a hipófise produzir os dois. É o eixo hipotálamo-hipófise-testículo.
Cada gonadotrofina tem um alvo. O LH age nas células de Leydig do testículo e faz essas células fabricarem a testosterona. O FSH age nas células de Sertoli, que sustentam a formação dos espermatozoides, e é um dos principais reguladores dessa produção. É a descrição da diretriz de deficiência de testosterona da Associação Americana de Urologia (AUA), de 2018, revisada e confirmada em 2024.
O eixo funciona como um termostato. A testosterona e o estradiol que nasce dela voltam ao hipotálamo e à hipófise e freiam a produção de LH. Quando o testículo produz pouco, o freio afrouxa e o LH sobe; quando chega testosterona de fora, o freio aperta e o LH e o FSH caem.
Para que serve o exame de LH e FSH no homem?
A principal função é localizar a origem da testosterona baixa. A diretriz da Endocrine Society, sociedade americana de endocrinologia, de 2018, recomenda distinguir o hipogonadismo primário (falha no próprio testículo) do secundário (falha no comando da hipófise e do hipotálamo) medindo o LH e o FSH. Hipogonadismo é o nome médico para a produção insuficiente de testosterona. A AUA recomenda medir o LH em todo homem com testosterona baixa, e o posicionamento brasileiro de 2026, da SBEM, da SBU e da ABEMSS, recomenda dosar o FSH e o LH com o mesmo objetivo.
A diretriz europeia de urologia (EAU), na edição de 2026, recomenda dosar testosterona total, FSH e LH em todos os homens com contagem baixa de espermatozoides ou sem espermatozoides no sêmen. A lista completa do que se pede antes de uma reposição está em exames para reposição hormonal masculina.
Qual é o valor normal de LH e FSH no homem?
Não existe um número universal. A faixa muda com o laboratório, com o método e com a idade, e o resultado se compara com a faixa impressa no próprio laudo. A Endocrine Society registra que a maioria dos laboratórios mede LH e FSH por imunoensaio (teste com anticorpos), com sensibilidade suficiente para separar valores normais de baixos.
Como exemplo, a MedlinePlus, enciclopédia médica da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, cita para o homem adulto um FSH de 1,5 a 12,4 mUI/mL e, acima dos 18 anos, um LH de 1,8 a 8,6 UI/L, com o aviso de que as faixas variam entre laboratórios.
Mais importante que o número isolado é a combinação. Um LH "normal" ao lado de uma testosterona baixa não tranquiliza: as diretrizes chamam esse LH de inapropriadamente normal, porque o esperado seria que ele subisse para compensar.
Testosterona baixa com LH e FSH altos: o que significa?
Significa que o cérebro está mandando o sinal, em volume alto, e o testículo não está respondendo. É o hipogonadismo primário, também chamado hipergonadotrófico. A AUA lista como causas as alterações congênitas, das quais a síndrome de Klinefelter (homem que nasce com um cromossomo X a mais) é a mais comum, a retirada dos dois testículos, a radioterapia e a quimioterapia, o trauma, as infecções e a lesão autoimune do testículo. Quando a causa não aparece na história, a Endocrine Society orienta pedir o cariótipo (o exame dos cromossomos), principalmente se o testículo tiver menos de 6 mL de volume.
A AUA lembra que o hipogonadismo primário não impede a reposição de testosterona. O que muda é a fertilidade: segundo a Endocrine Society, o tratamento com gonadotrofinas consegue estimular a produção de espermatozoides no hipogonadismo secundário, mas não no primário. Por isso o tipo de hipogonadismo pesa tanto na conversa sobre filhos.
Testosterona normal com LH alto: o hipogonadismo compensado
Existe um meio-termo: a testosterona ainda dentro da faixa, sustentada por um LH acima do normal, como se o cérebro precisasse gritar para o testículo entregar o mesmo resultado. No Estudo Europeu do Envelhecimento Masculino (EMAS), publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, em 2010, com 3.369 homens de 40 a 79 anos, esse quadro apareceu em 9,5% dos participantes, foi mais comum nos mais velhos e se associou mais a sintomas físicos do que sexuais. A diretriz europeia de 2026 registra que o significado clínico desse estado ainda não está claro, e por isso o quadro pede acompanhamento.
FSH alto no homem: o que significa para a produção de espermatozoides?
O FSH funciona como um marcador da fábrica de espermatozoides. A diretriz europeia de 2026 descreve que, em geral, o FSH tem relação inversa com o número de espermatogônias (as células que dão origem aos espermatozoides): quando elas estão ausentes ou muito reduzidas, o FSH costuma subir. A AUA escreve que a produção normal de espermatozoides costuma vir com FSH na faixa baixa ou normal e que o FSH alto diante da testosterona baixa costuma indicar produção comprometida, situação em que se considera o espermograma.
O FSH pode subir também com a testosterona normal: segundo a diretriz europeia, o homem com falha testicular costuma ter FSH e LH altos, com ou sem testosterona baixa. E o número não fecha prognóstico. A mesma diretriz avisa que o FSH não prevê com precisão se haverá espermatozoides numa biópsia do testículo e que homens sem espermatozoides no sêmen e com FSH alto ainda podem ter áreas de produção dentro do testículo. Por isso o FSH alto pede espermograma e avaliação reprodutiva antes de qualquer conclusão.
LH e FSH baixos ou normais com testosterona baixa: o que investigar?
Nesse caso o testículo pode estar apto, mas não está recebendo o sinal. É o hipogonadismo secundário, ou hipogonadotrófico. No mesmo estudo europeu, ele foi o tipo mais frequente, em 11,8% dos homens, e o índice de massa corporal de 30 ou mais, a faixa da obesidade, se associou fortemente a ele.
A investigação segue as diretrizes. A Endocrine Society orienta dosar a prolactina (hormônio da hipófise que, em excesso, freia o LH) e a saturação de ferro, para afastar sobrecarga de ferro, e, em alguns casos, avaliar as outras funções da hipófise e fazer ressonância da sela turca, onde ela fica. O posicionamento brasileiro acrescenta a função da tireoide. A AUA indica ressonância da hipófise quando a testosterona total está abaixo de 150 ng/dL com LH baixo ou normal, mesmo com prolactina normal.
Entre as causas que a Endocrine Society chama de funcionais, potencialmente reversíveis, estão a obesidade grave, alguns distúrbios do sono, doenças sistêmicas, desnutrição ou exercício excessivo e o uso de opioides, corticoides e anabolizantes. O detalhe de cada causa, com a idade em que pesa mais, está em testosterona baixa no homem jovem.
Por que LH e FSH caem na reposição de testosterona e com anabolizante?
Porque o hormônio que chega de fora aciona o freio do eixo. A AUA descreve que a testosterona exógena suprime o eixo hipotálamo-hipófise-testículo e a produção de testosterona dentro do testículo, e o posicionamento brasileiro afirma que ela suprime o eixo e, em consequência, prejudica a produção de espermatozoides. LH e FSH baixos durante a reposição são, portanto, o efeito esperado do tratamento.
Com o anabolizante acontece o mesmo. A declaração científica da Endocrine Society de 2014 sobre substâncias para desempenho registra que a supressão do LH e do FSH pelos anabolizantes pode vir acompanhada de queda da produção de espermatozoides e infertilidade, e que, depois de uso prolongado, o eixo pode ficar suprimido por meses ou anos. Por isso, um laudo com LH e FSH muito baixos ao lado de uma testosterona alta levanta, antes de tudo, a pergunta sobre hormônio vindo de fora.
Na fertilidade, a reposição reduz a produção de espermatozoides, e as diretrizes recomendam não iniciá-la em quem planeja ter filhos em breve, tema do artigo sobre testosterona e fertilidade.
Como e quando colher o exame de LH e FSH?
No homem, LH e FSH costumam sair da mesma coleta da testosterona, e quem dita o preparo é a testosterona: de manhã, entre 7 e 10 horas, em jejum, com repetição em outra manhã, como orienta o posicionamento brasileiro. O preparo de cada hormônio está reunido em exame hormonal precisa de jejum.
Dois cuidados são específicos. A biotina, vitamina comum em polivitamínicos e suplementos, interfere nos testes de LH e FSH e pode dar resultado falsamente alto ou baixo; a Endocrine Society orienta suspendê-la pelo menos 72 horas antes, combinado com o médico. E remédios e hormônios em uso, como testosterona e DHEA, mudam o resultado e precisam constar no pedido. Nenhum remédio deve ser suspenso por conta própria.
Em quem já faz reposição, LH e FSH baixos não revelam por que a testosterona caiu no início; essa investigação rende mais antes de começar, junto com a testosterona total e livre, como explico em testosterona total e livre.
Como é feita a avaliação no consultório
Na consulta, em Alto de Pinheiros, São Paulo, o LH e o FSH são lidos dentro da história: há quanto tempo os sintomas existem, sono, peso, remédios e suplementos, uso de testosterona ou anabolizante, caxumba ou trauma nos testículos e o plano de ter filhos.
O exame físico avalia testículos, pelos, mamas e gordura, e a bioimpedância estima gordura e músculo. Os exames de sangue seguem o desenho das diretrizes: testosterona total repetida de manhã, SHBG e albumina para a testosterona livre calculada, LH e FSH na mesma coleta e, conforme a combinação, prolactina, ferro, tireoide, cariótipo ou espermograma.
Com o tipo de hipogonadismo definido, o plano trata o que está por trás do número. Confirmada a deficiência com sintomas, a decisão sobre reposição hormonal é médica e individual, pesando fertilidade, hematócrito e próstata, com acompanhamento. O caminho completo está no guia de reposição hormonal masculina.
Perguntas frequentes
Exame de LH e FSH precisa de jejum?
No homem, o LH e o FSH costumam ser colhidos junto com a testosterona, e a testosterona pede coleta de manhã, entre 7 e 10 horas, em jejum, segundo o posicionamento brasileiro de 2026. Por isso a coleta inteira segue essa regra. A biotina pede pausa de pelo menos 72 horas antes, combinada com o médico. Os demais cuidados estão em exame hormonal precisa de jejum.
Como aumentar o LH e o FSH no homem?
Depende do que derrubou os dois. Quando a causa é o excesso de peso, uma meta-análise de 2013 associou a perda de peso ao aumento das gonadotrofinas e da testosterona. Prolactina alta, opioides, corticoides e anabolizantes são investigados e tratados com o médico. Remédios que estimulam o próprio eixo existem, mas a indicação é médica, como explico em testosterona e fertilidade.
FSH alto no homem: dá para baixar?
Nas diretrizes citadas neste artigo, o foco diante do FSH alto está em investigar a causa, no testículo e na produção de espermatozoides; nenhuma delas trata o FSH isoladamente como alvo de tratamento. O caminho é descobrir a causa, com exame físico, espermograma e, conforme o caso, cariótipo. A diretriz europeia lembra que FSH alto não exclui a presença de áreas de produção dentro do testículo.
LH alto no homem dá sintomas?
O LH em si não provoca sintomas. O que aparece vem do testículo que responde pouco: com a testosterona já baixa, surgem queda de libido, cansaço e perda de força. No Estudo Europeu do Envelhecimento Masculino, os homens com testosterona normal e LH alto tinham mais sintomas físicos do que sexuais.
Qual a diferença entre LH e FSH no homem e na mulher?
Os hormônios são os mesmos e saem da mesma hipófise, mas os alvos mudam. No homem, o LH comanda a testosterona e o FSH, os espermatozoides, e a coleta não depende de data. Na mulher, eles regem o ciclo e a ovulação, e o FSH tem dia certo para ser colhido, como explico em exame para saber se está na menopausa.
Conclusão
LH e FSH são o recado que o cérebro manda aos testículos, e o exame mostra se o recado está saindo e se está sendo atendido. Testosterona baixa com os dois altos aponta para o testículo; com os dois baixos ou normais, para o comando, com prolactina, ferro, hipófise e peso na investigação. Na reposição e com anabolizante, LH e FSH baixos são o efeito esperado do hormônio de fora, e por isso o melhor momento de dosar os dois é antes de começar.
Referências
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- Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF, et al. Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). Int Braz J Urol. 2026;52(3). doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610. https://www.scielo.br/j/ibju/a/z3hQd43gJt7b9Ck76ccgxNf/?lang=en
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- European Association of Urology. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health, 2026. Capítulo Male Hypogonadism (seção 3.1.3, Classification). https://uroweb.org/guidelines/sexual-and-reproductive-health/chapter/male-hypogonadism
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- Corona G, Rastrelli G, Monami M, et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. Eur J Endocrinol. 2013;168(6):829-843. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/
- MedlinePlus. Follicle-stimulating hormone (FSH) blood test. U.S. National Library of Medicine (revisão de 18/08/2025). https://medlineplus.gov/ency/article/003710.htm
- MedlinePlus. Luteinizing hormone (LH) blood test. U.S. National Library of Medicine (revisão de 18/08/2025). https://medlineplus.gov/ency/article/003708.htm
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