Saúde Hormonal

Exames para reposição hormonal masculina: o que pedir antes de começar e o que repetir depois

Dr. Rodrigo Neves 7 de outubro de 2026 Leitura: 11 min

Resposta direta

Antes da reposição hormonal masculina, os exames essenciais são a testosterona total colhida de manhã, em jejum e repetida em outro dia, a testosterona livre e a SHBG quando indicadas, LH e FSH, o hemograma com hematócrito e o PSA conforme idade e risco. Depois de começar, testosterona e hematócrito são repetidos entre 3 e 6 meses, aos 12 meses e então uma vez por ano.

Um exame de testosterona colhido no fim da tarde, depois de um dia de refeições, pode vir baixo em um homem que teria resultado normal se a coleta fosse feita de manhã e em jejum. Esse detalhe de preparo muda a leitura inteira. E a testosterona é só o primeiro item de uma lista que responde a duas perguntas: existe mesmo uma deficiência? E é seguro começar a reposição?

Aqui eu explico o que é pedido antes da reposição hormonal masculina, por que cada exame entra e o que é repetido depois, com base nas diretrizes da Endocrine Society e da Associação Americana de Urologia (AUA) e no posicionamento brasileiro de 2026. Os sinais que levam a investigar estão no artigo sobre sinais de testosterona baixa no homem. O conteúdo é educativo e não substitui a consulta.

Quer saber quais exames fazem sentido no seu caso?

Agende uma avaliação com o Dr. Rodrigo: sintomas, histórico e exames entram juntos na decisão.

Agendar pelo WhatsApp

Quais exames fazer antes da reposição hormonal masculina?

A diretriz da Endocrine Society, publicada em 2018 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, recomenda fechar o diagnóstico de deficiência de testosterona só quando há sintomas e sinais compatíveis e testosterona baixa de forma inequívoca e repetida. O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), de 2026, segue a mesma linha.

Os exames pedidos antes de começar se dividem em dois grupos:

Dependendo do que aparecer, entram outros, como prolactina, ferritina ou espermograma.

Por que a testosterona é colhida de manhã, em jejum e repetida?

Porque o valor muda ao longo do dia e de um dia para o outro. A Endocrine Society explica que a testosterona tem pico pela manhã, que comida e glicose reduzem o nível no sangue e que cerca de 30% dos homens com uma primeira dosagem na faixa baixa têm resultado normal quando o exame é repetido. Por isso a diretriz pede duas coletas, em manhãs diferentes e em jejum.

Um estudo brasileiro publicado em 2021 no Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, com 40 homens jovens saudáveis, mediu esse efeito. A testosterona total colhida de manhã sem jejum de 8 horas veio, na mediana, 28% mais baixa do que a colhida em jejum. A colhida no fim da tarde, depois de um dia de refeições, veio 22% mais baixa do que a da manhã. É um estudo pequeno, mas mostra o tamanho do erro que o preparo evita.

A janela de horário do posicionamento brasileiro e os outros cuidados de preparo estão em exame hormonal precisa de jejum.

Testosterona total e livre: qual a diferença e quando o SHBG entra?

A testosterona total é a soma de tudo o que circula no sangue. A maior parte viaja presa a proteínas, principalmente a SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) e a albumina. Segundo a Endocrine Society, só 2% a 4% circulam livres.

O problema é que a SHBG muda com várias condições. Obesidade, diabetes e hipotireoidismo tendem a baixar a SHBG, o que pode puxar a testosterona total para baixo mesmo quando a livre está normal. Envelhecimento, doenças do fígado, hipertireoidismo e alguns anticonvulsivantes tendem a subir a SHBG, o que pode deixar a total com cara de normal enquanto a livre está baixa.

Por isso as diretrizes não pedem testosterona livre para todo homem, e sim quando a total fica perto do limite inferior ou quando existe uma condição que altera a SHBG. Nesses casos, a Endocrine Society recomenda medir a livre por um método de referência do laboratório, a diálise de equilíbrio, ou calculá-la a partir da testosterona total, da SHBG e da albumina, e não usar os testes diretos de testosterona livre, que considera imprecisos.

Para que servem LH e FSH no homem?

LH e FSH são os sinais que a hipófise, uma pequena glândula na base do cérebro, manda aos testículos: o LH estimula a testosterona e o FSH, a produção de espermatozoides. A Endocrine Society e o posicionamento brasileiro recomendam dosar os dois, e a AUA, o LH, para saber se a origem da testosterona baixa está no testículo ou no comando do cérebro. O que cada combinação significa e o que ela muda na investigação está em LH e FSH no homem.

A fertilidade também entra. A testosterona vinda de fora reduz a produção de espermatozoides, e a AUA recomenda avaliar a saúde reprodutiva antes do tratamento em quem quer ter filhos; a Endocrine Society orienta pelo menos dois espermogramas, com semanas de intervalo. Essa e outras situações estão no artigo sobre quem não pode fazer reposição hormonal.

PSA e toque retal: a partir de que idade entram na avaliação?

A próstata responde à testosterona, então a avaliação dela vem antes do tratamento, e as diretrizes diferem na idade. A AUA recomenda dosar o PSA antes de começar em todo homem acima de 40 anos, para afastar um câncer ainda não diagnosticado. A Endocrine Society propõe uma decisão compartilhada sobre o acompanhamento da próstata entre 55 e 69 anos, e a partir dos 40 em quem tem risco aumentado, como homens negros e homens com parente de primeiro grau com câncer de próstata. Para quem opta pelo acompanhamento, PSA e toque retal entram antes de começar.

Pela Endocrine Society, a reposição não deve começar sem avaliação urológica quando há nódulo ou endurecimento da próstata ao toque, ou PSA acima de 4 ng/mL (acima de 3 ng/mL em quem tem risco aumentado). Depois de começar, a diretriz indica avaliação urológica se, nos primeiros 12 meses, o PSA subir mais de 1,4 ng/mL em relação ao valor inicial, se um PSA acima de 4 ng/mL for confirmado, se o toque mostrar alteração ou se os sintomas urinários piorarem bastante. Qualquer elevação é confirmada repetindo o exame, porque inflamação da próstata e variação do teste podem subir o PSA de forma passageira. Depois do primeiro ano, vale o rastreamento habitual para a idade e o risco.

Hematócrito: por que 48% para começar e 54% durante?

O hematócrito é a proporção do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos, e a testosterona estimula a produção deles. A AUA descreve a subida de hemoglobina e hematócrito como o efeito adverso mais frequente da reposição, com aumento concentrado nos primeiros seis meses e tendência a estabilizar depois.

Antes de começar, a Endocrine Society trata o hematócrito acima de 48% (50% para quem mora em altitude) como contraindicação relativa e pede investigação. O posicionamento brasileiro adota os mesmos cortes.

Durante a reposição, o corte é 54%. O exame existe para perceber essa subida cedo, e o que a diretriz manda fazer quando ela acontece está no artigo sobre hematócrito alto na reposição de testosterona.

Estradiol no homem: é preciso dosar?

O homem também produz estradiol, a partir da própria testosterona, e precisa dele. A Endocrine Society descreve que o estradiol ajuda a evitar o ganho de gordura e as ondas de calor e, junto com a testosterona, sustenta a função sexual e a densidade dos ossos.

Mesmo assim, nenhuma das três diretrizes manda dosar estradiol de rotina em todo homem. A AUA recomenda o exame antes do tratamento em quem tem sintomas nas mamas ou ginecomastia (aumento do tecido mamário) e durante o tratamento se esses sinais aparecerem; nos demais, considera a dosagem opcional. O posicionamento brasileiro afirma que o monitoramento rotineiro do estradiol não é recomendado. Na consulta, quando há queixas que sugerem desequilíbrio entre testosterona e estradiol, como as descritas no artigo sobre estrogênio no homem, o estradiol entra no pedido desde o início; sem esses sinais, a decisão leva em conta o restante do quadro.

Quais exames repetir depois de começar a reposição?

O acompanhamento confere se a testosterona chegou ao meio da faixa normal, alvo da Endocrine Society, e se os exames de segurança seguem dentro do esperado. O calendário é parecido entre as diretrizes:

Em cada retorno, a Endocrine Society recomenda avaliar sintomas e efeitos adversos, e a AUA orienta conversar sobre a continuidade quando, de 3 a 6 meses depois do início, a testosterona normalizou sem melhora dos sintomas. O momento da coleta muda conforme a via (injeção, gel ou pellet), como explico no artigo sobre quando colher o exame na reposição.

Como é feita a avaliação antes de pedir os exames?

Os exames só fazem sentido dentro de uma avaliação clínica. Na minha prática, ela começa pela história: sintomas e há quanto tempo existem, sono, ronco, peso, remédios, suplementos e uso de anabolizantes. Segundo a Endocrine Society, doença aguda, opioides, corticoides, obesidade, diabetes e distúrbios do sono afetam a testosterona.

Depois vem o exame físico, que o posicionamento brasileiro considera parte essencial da avaliação: pelos, mamas, distribuição de gordura, massa muscular e testículos. Com isso em mãos, o pedido de laboratório fica direcionado, em vez de uma lista genérica.

No consultório em Alto de Pinheiros, em São Paulo, a avaliação para reposição hormonal masculina reúne anamnese detalhada, exame físico, os exames de sangue descritos aqui, bioimpedância para acompanhar a composição corporal e retornos programados para conferir, exame a exame, como o corpo está respondendo. O guia de andropausa e testosterona reúne os outros temas dessa jornada.

Perguntas frequentes

Exame de testosterona precisa de jejum?

Para investigar deficiência de testosterona, sim. A Endocrine Society recomenda colher de manhã e em jejum, porque comida e glicose reduzem a testosterona no sangue. Horário e demais cuidados de preparo estão em exame hormonal precisa de jejum.

Qual médico pede exames hormonais masculinos?

Endocrinologistas e urologistas costumam pedir esses exames, e todo médico que conduz reposição hormonal precisa saber indicar e interpretar o painel completo. O posicionamento brasileiro de 2026 foi escrito em conjunto pelas sociedades de endocrinologia, urologia e medicina sexual. Mais importante do que quem pede é ler os resultados junto com sintomas e exame físico.

Precisa parar a biotina antes do exame de hormônio?

Para LH e FSH, sim: a Endocrine Society orienta pausar a biotina pelo menos 72 horas antes da coleta, combinado com o médico. O que ela muda em outros exames está em biotina e exame hormonal.

Posso fazer o exame de testosterona logo depois de uma gripe forte ou de uma internação?

O ideal é esperar. A Endocrine Society recomenda não dosar testosterona durante uma doença aguda ou na recuperação dela, nem durante o uso de curta duração de remédios que reduzem a testosterona, como opioides. O posicionamento brasileiro também orienta não colher durante doença aguda ou piora de doença crônica, quando o resultado pode vir baixo sem refletir o funcionamento habitual.

O exame de testosterona dá o mesmo resultado em qualquer laboratório?

Nem sempre. Os métodos de dosagem variam, e a Endocrine Society recomenda usar um método de dosagem preciso, de preferência certificado por um programa de padronização. A AUA orienta fazer as dosagens seriadas no mesmo laboratório e com o mesmo método, para que a comparação ao longo do tratamento seja confiável.

Conclusão

Os exames para reposição hormonal masculina respondem a perguntas diferentes. A testosterona, colhida de manhã, em jejum e repetida, com a livre e a SHBG quando necessário, confirma se existe deficiência. LH e FSH mostram de onde ela vem. Hematócrito e PSA dizem se é seguro começar. E os retornos mostram se a reposição segue funcionando com segurança.

Nenhum desses números decide sozinho: eles ganham sentido dentro de uma avaliação completa e de um acompanhamento que confere, retorno a retorno, se o plano continua certo para você.

Referências

  1. Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/
  2. Mulhall JP, Trost LW, Brannigan RE, et al. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. J Urol. 2018;200(2):423-432. Revisada e com validade confirmada pela AUA em 2024. https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/testosterone-deficiency-guideline
  3. Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF, et al. Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). Int Braz J Urol. 2026;52(3). doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610. https://www.scielo.br/j/ibju/a/z3hQd43gJt7b9Ck76ccgxNf/?lang=en
  4. Lima IL, Neves IM, Costa IR, Caplum MC, Oliveira PCB, Vaz de Mello RC. Avaliação da influência de fatores pré-analíticos nas dosagens de testosterona total em homens jovens saudáveis. J Bras Patol Med Lab. 2021;57. doi:10.5935/1676-2444.20210016. https://www.scielo.br/j/jbpml/a/rYNw73rZVmBchkxTPmgyptF/?lang=pt

Exames certos começam por uma boa avaliação

Converse com o Dr. Rodrigo sobre sintomas, preparo dos exames e acompanhamento da reposição hormonal.

Agendar pelo WhatsApp
R

Dr. Rodrigo Neves

Médico, CRM-SP 160969. Atua em reposição hormonal, longevidade e saúde metabólica. Mais de 10.000 pacientes atendidos. Conheça o Dr. Rodrigo Neves

Usamos cookies para melhorar sua experiência e medir nossas campanhas. Saiba mais na Política de Privacidade.