Com quantos anos a mulher entra na menopausa, o que antecipa ou atrasa e quanto tempo dura cada fase
Resposta direta
A maioria das mulheres entra na menopausa entre os 45 e os 55 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde, e dois grandes estudos brasileiros encontraram idade perto dos 50. A menopausa em si é um marco: a última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem menstruar. A transição antes dela leva alguns anos, os sintomas podem seguir por anos depois, e a pós-menopausa dura o resto da vida.
A comparação muitas vezes começa em família: a mãe parou de menstruar aos 48, a irmã mais velha aos 53, uma amiga aos 45. E a dúvida que fica é qual dessas idades vai valer para você, e por quanto tempo os calorões, o sono picado e as mudanças no ciclo vão durar.
Olhar para a mãe faz sentido, porque a idade dela é uma das pistas mais fortes. Mas essa pista divide espaço com o cigarro, cirurgias e tratamentos. E a palavra "menopausa" serve para coisas diferentes: às vezes um único dia, às vezes uma fase inteira.
Abaixo, reúno o que os estudos mostram sobre a idade da menopausa no Brasil e no mundo, o que adianta ou atrasa esse momento e quanto duram as fases e os sintomas.
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Agendar pelo WhatsAppEste artigo faz parte do guia Menopausa e climatério do Dr. Rodrigo Neves. Consultório em Alto de Pinheiros, São Paulo. Livro do Dr. Rodrigo Neves sobre o tema: A Menopausa Que Ninguém Explicou.
Com quantos anos a mulher entra na menopausa?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve que a maioria das mulheres entra na menopausa entre os 45 e os 55 anos. Uma meta-análise (estudo que junta os resultados de vários outros) publicada em 2014 no International Journal of Epidemiology, com 46 estudos de 24 países, encontrou média de 48,8 anos, com estudos indo de 46 a 52. As idades foram mais baixas na América Latina, na África, na Ásia e no Oriente Médio, e mais altas na Europa e na Austrália.
No Brasil, dois grandes levantamentos recentes chegam perto dos 50. O ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros), publicado na revista Menopause em 2024 com 2.731 mulheres de 50 anos ou mais, encontrou idade mediana de 50 anos para a menopausa natural (metade das mulheres antes, metade depois). O ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto), publicado na revista Climacteric com 3.538 mulheres que já tinham passado pela menopausa natural, encontrou média de 49,5 anos.
A variação em torno da média é grande: parar de menstruar aos 46 ou aos 54 está dentro do esperado. A conversa muda nas pontas. Quando a última menstruação vem antes dos 45, fala-se em menopausa precoce, e antes dos 40, em insuficiência ovariana precoce, situações explicadas no artigo sobre menopausa precoce e os sinais antes dos 45.
E se a menstruação continuar depois dos 55?
Acontece, com menos frequência. Quem para de menstruar mais tarde passa mais anos exposta ao próprio estrogênio, e o risco de câncer de mama aumenta um pouco: uma análise de 117 estudos, com quase 119 mil mulheres com câncer de mama, publicada na Lancet Oncology em 2012, mostrou um acréscimo de cerca de 3% sobre o risco que a mulher já tinha a cada ano a mais de idade na menopausa. Para essas mulheres, manter o rastreamento em dia faz parte do cuidado.
Por que a menopausa só é confirmada olhando para trás?
Pela definição da OMS, a menopausa natural é considerada ocorrida depois de 12 meses seguidos sem menstruar. A data da menopausa é, então, a da última menstruação, e ela só fica conhecida um ano depois. Se a menstruação volta no décimo mês, aquela não era a última, e a contagem recomeça. A diferença entre os termos está no artigo sobre climatério ou menopausa.
Passados os 12 meses, qualquer sangramento novo, mesmo pouco, é sangramento pós-menopausa e precisa ser avaliado, como explico no artigo sobre sangramento irregular na perimenopausa.
O que antecipa ou atrasa a menopausa?
A OMS registra que não é possível prever quando cada mulher vai entrar na menopausa, embora a idade se associe a fatores demográficos, de saúde e genéticos.
Genética e idade da mãe
Num estudo feito na Escócia com 551 mulheres que sabiam a idade da menopausa da mãe, publicado em 1997 no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, quem tinha mãe com menopausa precoce teve cerca de 6 vezes mais chance de também parar de menstruar antes dos 45. A idade da mãe indica uma tendência, que ajuda na conversa sem fixar uma data.
Cigarro
É o fator de estilo de vida com o sinal mais claro. A meta-análise de 2014 calculou que fumar antecipa a menopausa em cerca de 1 ano. Uma análise conjunta de 17 estudos em 7 países, com mais de 207 mil mulheres, publicada na PLOS Medicine em 2018, mostrou que quem fumava tinha cerca do dobro do risco de menopausa antes dos 40 e entre os 40 e os 44 anos, e que o risco crescia com os anos de cigarro. No Brasil, fumar também apareceu ligado a uma menopausa mais cedo no ELSI-Brasil e no ELSA-Brasil.
Peso, escolaridade e gestações
Outros fatores têm efeito menor. No ELSI-Brasil, estar abaixo do peso se associou a menopausa mais cedo, e o sobrepeso, a uma um pouco mais tardia. No ELSA-Brasil, menor escolaridade apareceu ligada a menopausa mais cedo, e ter tido mais de um filho, a uma mais tarde do que nunca ter engravidado. São associações em grandes grupos de mulheres, úteis para entender o próprio caso, nunca uma estratégia para mudar a data.
Cirurgias
A retirada dos dois ovários induz a menopausa, como descreve a OMS. Já a histerectomia (retirada do útero) com os ovários preservados não provoca a menopausa por si só, mas pode antecipá-la. Um estudo publicado na Obstetrics & Gynecology em 2011, que acompanhou 871 mulheres de 30 a 47 anos por até 5 anos, encontrou quase o dobro de risco de perda da função dos ovários entre as que tiraram o útero: em 4 anos, 14,8% contra 8,0% das que não operaram. Os autores não separaram o efeito da cirurgia do efeito do problema que levou a ela.
Sem útero, não há menstruação para contar os 12 meses, e o diagnóstico passa a depender dos sintomas e, quando necessário, de exames, como explico no artigo sobre exame para saber se está na menopausa.
Quimioterapia e radioterapia
A OMS cita a quimioterapia e a radioterapia entre as causas de menopausa induzida, e a idade no tratamento pesa. Uma meta-análise de 75 estudos com mulheres tratadas de câncer de mama, publicada na Acta Oncologica em 2016, estimou que a menstruação parou depois da quimioterapia em 26% das mulheres com menos de 35 anos, em 39% das que tinham entre 35 e 40 e em 77% das que tinham mais de 40. Essa parada nem sempre é definitiva, como explico no artigo sobre exame para saber se está na menopausa.
Quanto tempo dura cada fase: perimenopausa, menopausa e pós-menopausa?
O STRAW+10, classificação internacional das fases da vida reprodutiva da mulher publicada em 2012, organiza as fases assim:
- Transição inicial: começa quando a duração dos ciclos passa a variar 7 dias ou mais de um mês para o outro, de forma persistente. O consenso não fixa uma duração para ela.
- Transição final: começa quando aparecem intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar e dura, em média, de 1 a 3 anos. Os fogachos são comuns nessa etapa.
- Menopausa: é o dia da última menstruação, confirmado 12 meses depois.
- Pós-menopausa inicial: dura cerca de 5 a 8 anos. Nos 2 primeiros, o estradiol (o principal estrogênio) continua caindo e o FSH (hormônio da hipófise que estimula os ovários) continua subindo; depois, os dois se estabilizam.
- Pós-menopausa tardia: vai daí em diante, pelo resto da vida.
No uso comum, perimenopausa é a transição antes da última menstruação (o STRAW+10 estende o termo até 12 meses depois dela). Quando ela costuma começar e quanto dura, em média, está no artigo sobre o que é a perimenopausa.
Quanto tempo duram os sintomas da menopausa?
O estudo americano SWAN encontrou duração mediana de 7,4 anos para fogachos e suores noturnos frequentes, dado que detalho no artigo sobre quanto duram os fogachos e como controlar.
Uma meta-análise publicada em 2008 no Journal of General Internal Medicine, com 10 estudos e mais de 35 mil mulheres, mostrou que a proporção de mulheres com sintomas vasomotores (fogachos e suores noturnos) sobe nos 2 anos antes da última menstruação e chega ao pico 1 ano depois dela. Quatro anos após a última menstruação, quase metade das mulheres ainda tinha esses sintomas, e 10% continuavam com eles 12 anos depois. A OMS resume: algumas mulheres têm sintomas por vários anos.
Nem todos os sintomas seguem a mesma curva. Os fogachos tendem a diminuir com o tempo, enquanto o ressecamento vaginal e as alterações urinárias da síndrome geniturinária (o conjunto de mudanças na vulva, na vagina e na bexiga ligadas à falta de estrogênio) ficam mais frequentes na pós-menopausa tardia, como registra o STRAW+10. Por isso, a pergunta "quando isso passa?" tem uma resposta para cada sintoma. Por quanto tempo um tratamento pode seguir está no artigo sobre reposição hormonal por quanto tempo.
O que muda no corpo depois da menopausa?
Cerca de 2 anos depois da última menstruação, o estradiol se estabiliza em nível baixo, e a atenção se desloca do sintoma para a prevenção. A OMS aponta que a perda de densidade óssea na menopausa contribui para as taxas mais altas de osteoporose e fraturas, e que a vantagem cardiovascular da mulher em relação ao homem desaparece aos poucos com a queda do estrogênio. Cita ainda o ressecamento vaginal, a dor na relação sexual, a incontinência urinária e o enfraquecimento das estruturas que sustentam os órgãos da pelve.
A pós-menopausa pede atenção a osso, coração, metabolismo e saúde íntima, mesmo quando os calorões já foram embora.
Como é feita a avaliação na consulta
Na consulta, a conversa começa pela história menstrual: quando veio a última menstruação, como estavam os intervalos e se há uso de anticoncepcional hormonal, que pode mudar o padrão de sangramento. Depois entram a idade da menopausa da mãe e das irmãs, o tabagismo atual ou passado, cirurgias na pelve e tratamentos como quimioterapia ou radioterapia.
Na sequência vêm os sintomas e o quanto atrapalham: calor, suor noturno, sono, humor, memória, vida íntima e urina. Exames de sangue entram quando ajudam a responder uma dúvida concreta, como nas mulheres sem útero ou abaixo dos 45 anos. A bioimpedância mostra a composição do corpo (músculo, gordura e água) e serve de base para acompanhar a evolução. Com esse quadro, discute-se o que cabe a cada mulher: ajustes de sono, alimentação e treino, tratamento dos sintomas e, quando indicada, a reposição hormonal, com acompanhamento e reavaliação periódica.
No consultório em Alto de Pinheiros, em São Paulo, a avaliação parte da fase em que a mulher está, porque a mesma idade pode corresponder a momentos diferentes da transição. O guia completo está na página de menopausa e climatério.
Perguntas frequentes
Menopausa aos 45 anos é normal?
Sim. Pela OMS, a maioria das mulheres entra na menopausa entre os 45 e os 55 anos, então parar de menstruar aos 45 está dentro dessa faixa. Antes dos 45, fala-se em menopausa precoce, e antes dos 40, em insuficiência ovariana precoce. Nesses dois casos vale uma avaliação médica, porque são mais anos sem o estrogênio que protege ossos e coração.
Quem tirou o útero também entra na menopausa?
Entra. Se os ovários foram preservados, a menopausa acontece no tempo dela, às vezes um pouco antes, e as fases seguem a mesma lógica. A diferença é que, sem menstruação, não dá para contar os 12 meses, e o diagnóstico depende dos sintomas e, quando preciso, de exames. Se os dois ovários foram retirados, a menopausa é induzida pela própria cirurgia.
Dá para prever quando vou entrar na menopausa?
Não com precisão. A OMS afirma que não é possível prever quando cada mulher vai entrar na menopausa. Há pistas: a idade em que a mãe parou de menstruar, o tabagismo e a mudança no ciclo. Pelo consenso STRAW+10, quando aparecem intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar, a mulher está na fase final da transição, que dura em média de 1 a 3 anos.
Parar de fumar ajuda a não antecipar a menopausa?
Os dados apontam que sim. Na análise de 17 estudos publicada na PLOS Medicine em 2018, quem tinha parado de fumar teve risco bem menor de menopausa antes dos 45 do que quem seguia fumando, e menor ainda quanto mais tempo fazia que tinha parado. Quem tinha parado havia mais de 10 anos ficou com risco parecido com o de quem nunca fumou.
Quando acaba a menopausa?
Depende do que se chama de menopausa. O marco, a última menstruação, é um dia só. A pós-menopausa segue pelo resto da vida, e os hormônios se estabilizam cerca de 2 anos depois. Os fogachos costumam diminuir com os anos, mas 10% das mulheres ainda os têm 12 anos depois, segundo uma meta-análise de 2008. Já o ressecamento vaginal tende a aumentar com o tempo.
Conclusão
A menopausa chega entre os 45 e os 55 anos para a maioria das mulheres, com idade típica perto dos 50 nas brasileiras. A história da mãe, o cigarro, cirurgias e tratamentos ajudam a explicar por que uma chega antes e outra depois. O marco é um dia, a transição leva alguns anos, os sintomas podem acompanhar por mais tempo e a pós-menopausa ocupa o resto da vida.
Saber em que ponto desse caminho você está define o que tratar agora e o que prevenir, a partir de uma avaliação que junte história, sintomas e exames.
Referências
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