Saúde Hormonal

Implante hormonal pode ser retirado? As 9 dúvidas práticas, respondidas com fonte

Dr. Rodrigo Neves 7 de outubro de 2026 Leitura: 11 min

Resposta direta

Depende do tipo. O pellet absorvível foi feito para se dissolver sozinho e não precisa ser retirado; a contrapartida é que ele não foi pensado para ser removido se surgir necessidade no meio do caminho. Já o implante de silicone não se dissolve, pode ser retirado e a retirada é recomendada ao fim do uso. Por isso a escolha do tipo acontece na avaliação, antes da inserção.

Quem está prestes a colocar um implante hormonal, ou acabou de colocar, costuma chegar com perguntas muito práticas. E se eu precisar tirar? Posso treinar amanhã? Posso tomar banho, entrar na piscina, fazer ressonância? E doar sangue, ainda pode? São dúvidas legítimas, muitas vezes respondidas por aí sem fonte.

Em mais de 12 anos de consultório, percebi que o paciente que entende o procedimento cuida melhor dele. Aqui eu respondo as 9 dúvidas práticas mais buscadas, com o que a literatura científica e as normas brasileiras dizem. Quando não existe número publicado, eu digo isso.

Tem dúvidas sobre implante hormonal?

Agende uma avaliação com o Dr. Rodrigo: a via de reposição só entra na conversa depois do diagnóstico e dos exames.

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Implante hormonal pode ser retirado?

Depende de qual implante foi colocado. Uma revisão publicada em 2023 na revista Pharmaceuticals, assinada por pesquisadores brasileiros, descreve que dois formatos são amplamente usados no Brasil e nos Estados Unidos: os implantes absorvíveis, chamados de pellets, e os não absorvíveis, de silicone. A primeira pergunta, então, é saber qual dos dois está no seu corpo.

Pellet absorvível

O pellet é um pequeno cilindro de hormônio cristalino comprimido. Ele vai se dissolvendo no tecido logo abaixo da pele e liberando o hormônio aos poucos, até desaparecer. Segundo a mesma revisão, essa é a vantagem do formato: ele se dissolve por completo e não precisa ser retirado. A contrapartida, descrita pelos autores, é a menor flexibilidade depois da inserção. Quanto tempo ele age é assunto do artigo sobre quanto tempo dura o implante hormonal.

Na prática, isso muda a forma como a decisão é tomada. Como o pellet não pode ser interrompido depois de colocado, a indicação, o hormônio e a quantidade precisam estar bem definidos antes da inserção. É por isso que, no meu consultório, o implante nunca é o primeiro passo da conversa: ele vem depois do diagnóstico.

Implante de silicone

O implante não absorvível é um tubinho de silicone de uso médico com o hormônio dentro, que é liberado lentamente ao longo de meses. Ele não se dissolve. A revisão de 2023 descreve que esse formato permite interromper o tratamento e recomenda retirar o implante quando ele se esgota, principalmente antes de colocar um novo, se o tratamento continuar. A retirada é feita por equipe médica treinada, no momento combinado com o médico que acompanha o seu tratamento.

Não confundir com o implante anticoncepcional

Muito do que aparece sobre retirar implante fala do implante anticoncepcional de etonogestrel, que é outra coisa. Segundo a bula aprovada pela FDA, ele é um bastão flexível e não biodegradável, colocado no braço, que precisa ser retirado ao fim do prazo de uso. Essa regra não vale automaticamente para o implante de reposição hormonal.

Onde o implante hormonal é colocado e como é a inserção?

O pellet costuma ser colocado na parte alta do glúteo ou na parte baixa do abdome. A revisão brasileira de 2023 descreve o procedimento assim: uma incisão de cerca de 5 milímetros, feita sob anestesia local, por onde um trocarte, uma cânula fina, leva os pellets ao tecido logo abaixo da pele, em cerca de cinco minutos.

O local não é escolhido ao acaso. Num estudo australiano com 96 homens e 246 inserções, publicado em 2001, a saída de pellets foi mais frequente quando o implante ia para a lateral do quadril (12%) do que para a parede do abdome (5%). Num serviço de Boston, com 281 procedimentos, uma mudança na técnica de inserção na região glútea reduziu a taxa de saída de 7,5% para 0,8%. Local, técnica e experiência de quem coloca fazem diferença.

Colocar o implante dói?

A inserção é feita com anestesia local, justamente para que o procedimento seja tranquilo. Na série de Boston, dor forte a ponto de interromper o tratamento foi rara com a técnica mais recente (1,7%). Nos dias seguintes, o local pode ficar sensível e aparecer um roxo. Na série de 13 anos de um serviço de Sydney, com 973 inserções em 221 homens, sangramento ocorreu em 2,3% dos procedimentos, e mesmo os casos mais intensos tiveram pouca importância clínica.

Antes da inserção, conte ao médico se já teve reação a anestésico ou se usa anticoagulante: isso muda o planejamento.

Quais os cuidados nos primeiros dias? Curativo, banho e piscina

O cuidado mais importante é com o curativo. No levantamento de 2021 com mais de 1,2 milhão de procedimentos, a taxa de saída de pellets em homens caiu pela metade depois que a equipe passou a usar um curativo de membrana semipermeável, no lugar de gaze e esparadrapo. Vale a mesma ressalva do artigo sobre efeitos colaterais: o autor principal fundou a rede de clínicas que forneceu os dados. Curativo bem feito e mantido pelo tempo orientado protege a pequena incisão enquanto ela fecha.

Nesse mesmo trabalho, os homens eram orientados a evitar banho de imersão e natação por 7 dias, e as mulheres por 3 dias. A diferença existe porque o homem costuma receber um número maior de pellets. Na prática, isso significa:

Depois do implante hormonal, quando posso voltar à academia?

A resposta passa pelo movimento da região. No levantamento de 2021, os homens eram orientados a evitar por 7 dias exercícios intensos que envolvessem a musculatura glútea, como treinos pesados de perna e glúteo, e as mulheres por 3 dias. Entre os fatores analisados, só dois previram complicações como saída do pellet e infecção: atividade aumentada na primeira semana e um número maior de pellets inseridos.

O estudo de Sydney aponta na mesma direção: a saída de pellets foi mais frequente em quem tinha mais atividade física no trabalho. O que fica liberado nesse período, e quando o treino pesado volta, é combinado na consulta, conforme o local do implante e a sua rotina.

O implante hormonal pode sair do lugar?

Pode, e esse é o evento mais comum do método, chamado extrusão: um pellet que, em vez de terminar de se dissolver, é empurrado de volta para a superfície e sai pela pele. Ela pede avaliação. Na série de Sydney, com 973 inserções ao longo de 13 anos, a extrusão ocorreu em 8,5% dos procedimentos e a infecção em 0,6%. No levantamento de 2021, ficou abaixo de 3% nos homens e abaixo de 1% nas mulheres, com taxa geral de complicações abaixo de 1%, somando todos os procedimentos; os detalhes estão em efeitos colaterais do implante.

Ela pode acontecer logo na primeira semana ou meses depois: no levantamento de 2021, o tempo médio até a primeira extrusão em homens foi de 65 dias. Se notar a ponta de um pellet aparecendo, uma ferida que não fecha ou secreção no local, não tente empurrar nem puxar. Cubra com um curativo limpo e fale com o médico. Se o pellet sair, guarde-o: no serviço australiano que mais estudou o tema, os pellets expulsos eram recolhidos e o dia da saída era anotado.

Quem tem implante hormonal pode fazer ressonância magnética?

A preocupação na ressonância é com objetos metálicos e dispositivos eletrônicos no corpo. O pellet de testosterona é feito de hormônio cristalino comprimido, não é um objeto metálico, e a principal base internacional de segurança em ressonância, mantida pelo pesquisador Frank Shellock (MRISafety.com), classifica o pellet de testosterona como seguro em aparelhos de 1,5 e de 3 tesla.

Para pellets de outros hormônios e para implantes de silicone, não há, que eu conheça, uma classificação equivalente publicada. Por isso, informe o implante no questionário do exame, diga o tipo e o local e, se tiver, leve a descrição do material usado. Quem decide é o serviço de imagem.

Quem faz reposição hormonal pode doar sangue?

Em princípio, sim, e a regra ficou mais clara em 2026. A Portaria GM/MS nº 11.685, de 2 de julho de 2026, que redefiniu o regulamento técnico de sangue do Ministério da Saúde, diz que o uso de hormônios por via injetável com prescrição médica não torna o doador inapto, mas que o motivo da indicação deve ser avaliado. Na tabela de medicamentos da mesma portaria, hormônios femininos não contraindicam a doação, a menos que sejam usados no tratamento de câncer, e a testosterona usada sem prescrição médica afasta o doador por 4 meses após a suspensão.

A norma não cita o implante de forma específica, e a decisão é sempre da triagem. A orientação prática é levar a receita ou um relatório do seu médico e contar que usa implante, há quanto tempo ele foi colocado e por qual motivo. Se a inserção foi recente, informe também, porque a portaria manda avaliar procedimentos pelo porte e pela evolução clínica. A palavra final é do hemocentro.

Quando procurar o médico depois do implante?

Procure a equipe sem esperar o retorno se o local ficar mais vermelho, quente ou com pus, se a ferida reabrir ou se a dor piorar em vez de melhorar. A lista completa do que acompanhar está em efeitos colaterais do implante.

Há também sinais que pedem atendimento de urgência, com ou sem implante: dor e inchaço em uma perna só, falta de ar súbita ou dor no peito. Explico esse tema no artigo sobre implante hormonal e trombose. Mudanças no corpo ou no humor merecem ser anotadas e levadas ao retorno.

Como é a avaliação que vem antes do implante

Curativo, academia e piscina são cuidados de depois. A decisão que mais pesa vem antes: se o implante faz sentido para você e qual formato usar. Ela nasce de três peças. A anamnese, uma conversa longa sobre sintomas, histórico pessoal e familiar, medicamentos e rotina de treino e de trabalho. Os exames de sangue, com as dosagens hormonais e os marcadores de segurança de cada caso. E a bioimpedância, que mostra composição corporal, massa muscular e gordura.

Só com esse conjunto em mãos é que se discute a via de reposição hormonal. O implante é uma das opções, e a escolha entre pellet, silicone, gel ou injeção depende da pessoa. Depois da inserção, o acompanhamento segue com retorno, exames de controle e reavaliação dos sintomas, porque reposição bem feita é ajuste contínuo. É assim que trabalho no consultório em Alto de Pinheiros, em São Paulo.

Perguntas frequentes

Preciso tirar o implante antigo para colocar um novo?

Depende do tipo. O pellet absorvível se dissolve por completo, então não há o que retirar antes de uma nova inserção. O implante de silicone não se dissolve, e uma revisão brasileira de 2023 recomenda retirá-lo quando ele se esgota, principalmente antes de colocar um novo, se o tratamento continuar. Em qualquer caso, a nova inserção vem depois de exames e reavaliação.

Posso tomar sol no local do implante?

Nos primeiros dias, o local fica coberto pelo curativo, e o cuidado é mantê-lo protegido. Depois que a incisão fecha, a atenção passa para a pequena cicatriz: nas primeiras semanas, vale protegê-la do sol com roupa ou protetor solar, como qualquer corte recente na pele. Se o local ficar vermelho, quente ou dolorido, avise o médico antes de seguir com a exposição.

Posso ir à praia ou entrar no mar depois do implante?

Nos primeiros dias, não. Mar e piscina entram na mesma regra do banho de imersão, que o maior levantamento publicado orientou evitar por 3 dias nas mulheres e 7 dias nos homens, enquanto a incisão fecha. Depois do prazo combinado com o médico, a rotina volta ao normal. Se tiver uma viagem para a praia marcada, conte na consulta para planejar a data da inserção.

Quem trabalha com esforço físico precisa de cuidado extra?

Sim. Na série de Sydney, com 973 inserções, a saída do pellet foi mais frequente em quem tinha mais atividade física no trabalho. Por isso vale contar na consulta como é o seu dia: se você carrega peso, agacha muito ou passa horas em movimento, o local da inserção e o tempo de repouso da região podem ser planejados para isso.

Se o pellet sair, preciso colocar outro na hora?

Não necessariamente. Guarde o pellet, anote o dia em que ele saiu e fale com o médico. A decisão de repor depende de quantos pellets saíram, de quanto tempo se passou desde a inserção, dos seus sintomas e, muitas vezes, de um exame de sangue. O local também precisa estar bem cicatrizado antes de qualquer nova inserção.

Conclusão

Se o implante hormonal pode ser retirado depende do tipo. Os cuidados dos primeiros dias, o tempo longe do treino pesado e da piscina e os sinais de alerta são simples, e a literatura mostra que fazem diferença real na taxa de complicações. Para ressonância e doação de sangue, a regra é informar sempre.

O que mais protege o paciente, porém, vem antes de tudo isso: uma avaliação bem feita, a escolha do formato certo e um acompanhamento que não termina no dia da inserção.

Referências

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Dr. Rodrigo Neves

Médico, CRM-SP 160969. Atua em reposição hormonal, longevidade e saúde metabólica. Mais de 10.000 pacientes atendidos. Conheça o Dr. Rodrigo Neves

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