Saúde da Mulher

Gestrinona: o que é, para que serve, o chip da beleza e o que dizem o CFM e a Anvisa

Dr. Rodrigo Neves 7 de outubro de 2026 Leitura: 12 min

Resposta direta

A gestrinona é um esteroide sintético derivado da nandrolona, com ação androgênica e antiestrogênica. Sua indicação mais estudada é a endometriose, por via oral, com evidência de certeza baixa a muito baixa. O CFM veda seu uso com finalidade estética ou de desempenho esportivo, e a Anvisa proíbe implantes desse tipo para estética, ganho de massa muscular ou desempenho. Em 2022, a Anvisa informou que não havia medicamento de gestrinona registrado no país.

“Gestrinona para que serve?” é uma pergunta frequente quando o assunto é implante hormonal, quase sempre seguida de outra: “isso é o tal chip da beleza?”. O nome circula nas redes ligado a promessas de corpo definido e disposição, enquanto as notícias falam em proibição.

Neste artigo, explico o que a gestrinona é, o que os estudos mostram e o que não mostram, quais efeitos colaterais estão descritos e o que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Anvisa dizem hoje, com as fontes no fim do texto.

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O que é a gestrinona e como ela age no corpo?

A gestrinona é um esteroide sintético derivado da nandrolona, da mesma família dos hormônios androgênicos, como a testosterona. Em parecer de 2022, a Anvisa descreveu a substância como um hormônio esteroide sintético com propriedades androgênicas, antiestrogênicas e antiprogestacionais, entre outras. Ela não é produzida pelo organismo humano e, por isso, não se enquadra no conceito de hormônio bioidêntico.

Na prática, a gestrinona suprime a ovulação e reduz a ação do estrogênio sobre o endométrio, a camada interna do útero, o que leva à atrofia desse tecido e, com frequência, à interrupção da menstruação. Foi esse efeito que levou ao seu estudo na endometriose. Já o efeito androgênico explica boa parte dos efeitos colaterais, como acne e aumento de pelos.

Para que serve a gestrinona segundo os estudos?

A indicação em que a gestrinona foi mais estudada, e a única para a qual chegou a ter medicamento registrado no Brasil, é a endometriose, condição em que um tecido parecido com o endométrio cresce fora do útero e pode causar cólica intensa e dor pélvica, quase sempre por via oral nos estudos.

A revisão mais recente da Cochrane, atualizada com evidências até abril de 2026, reuniu quatro estudos que compararam a gestrinona ao danazol, à leuprorrelina (um análogo de GnRH usado na endometriose) ou a diferentes doses dela mesma. A conclusão dos autores: a gestrinona pode ser menos eficaz que a leuprorrelina para a cólica menstrual, pode melhorar mais a dor na relação sexual e pode causar menos ondas de calor. Frente ao danazol, não foi possível concluir. A certeza da evidência foi baixa a muito baixa.

No estudo italiano que comparou gestrinona e leuprorrelina, publicado em 1996 na revista Fertility and Sterility, 55 mulheres foram tratadas por seis meses. A dor melhorou nos dois grupos, mas no grupo da gestrinona o HDL, o colesterol bom, caiu 25%, e os autores pediram mais avaliação dessas alterações.

Já existiram no Brasil dois medicamentos de gestrinona em cápsulas para endometriose. Segundo a Anvisa, os registros foram cancelados a pedido das empresas, em 2012 e 2014, e a agência nunca avaliou a gestrinona por outra via que não a oral.

O que é o chip da beleza e quanto tempo dura o implante de gestrinona?

“Chip da beleza” é o nome popular de implantes hormonais manipulados colocados sob a pele, e a gestrinona é uma das substâncias mais associadas a ele. A própria Anvisa usa a expressão. Apesar do apelido, não há nada eletrônico: é um implante que libera hormônio ao longo do tempo.

Quanto tempo dura? Não existe um número confiável. Esses implantes manipulados não têm bula nem estudos publicados que mostrem quanto da substância é liberado e absorvido, lacuna apontada pela FEBRASGO e pela Sociedade Brasileira de Endometriose em 2021. Em outubro de 2026, a Carta do Rio de Janeiro, divulgada pela FEBRASGO e pela SBEM, acrescentou que, depois da inserção, a exposição ao hormônio pode persistir por meses e que a retirada pode ser difícil ou incompleta, especialmente no caso de pellets bioabsorvíveis.

Um estudo brasileiro randomizado, o GLADE, comparou um implante de gestrinona a placebo em 100 mulheres com endometriose profunda que mantinham dor depois da cirurgia, com foco em segurança e no perfil de liberação. O registro informa que ele foi concluído em 2025, mas os resultados ainda não tinham sido publicados quando este texto foi escrito.

Quais são os efeitos colaterais da gestrinona na mulher?

Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista Pharmaceutics reuniu 32 estudos, com 3.745 mulheres, em que a via oral foi a mais usada. Os efeitos mais relatados foram:

A revisão também encontrou ganho de peso na maioria dos estudos, elevação de enzimas do fígado e, em quatro estudos, alterações da densidade óssea, e concluiu que a evidência ainda é insuficiente para entender os riscos do uso amplo e sem regulação.

No caso dos implantes manipulados com hormônios como gestrinona, testosterona e oxandrolona, o alerta da Anvisa de 2024 lista complicações observadas em pacientes: aumento do colesterol e dos triglicerídeos, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral e arritmia cardíaca, além de aumento de pelos, queda de cabelo, acne, alteração da voz, insônia e agitação. A Carta do Rio de Janeiro cita também o aumento do clitóris e observa que alguns desses efeitos podem ser persistentes.

Gestrinona tem benefícios para a mulher? E no lipedema?

Muita gente procura a gestrinona por mais disposição, libido, massa magra e menos gordura. A Anvisa descreve que o efeito androgênico pode produzir esses efeitos, e que é por isso que a substância passou a ser usada em implantes com finalidade estética.

Descrever um efeito não é demonstrar benefício com segurança. Segundo a Carta do Rio de Janeiro, de 2026, a gestrinona não possui indicação cientificamente estabelecida para terapia da menopausa, reposição hormonal, melhora metabólica ou antienvelhecimento. Para estética e desempenho, a exposição de motivos da resolução do CFM afirma não ter encontrado respaldo na literatura.

No lipedema, acúmulo anormal de gordura sob a pele, sobretudo na metade inferior do corpo, que afeta quase só mulheres, uma revisão sistemática de 2025 buscou estudos com gestrinona até julho daquele ano e não encontrou nenhum, nem pesquisa em andamento. Os autores concluíram que não há base científica para esse uso e indicam compressão, exercício orientado, nutrição e apoio psicológico.

Homem pode usar gestrinona?

Não existe indicação estudada para gestrinona em homens. Os estudos clínicos reunidos na revisão de 2025 envolveram apenas mulheres, a maioria com endometriose. O uso em homens aparece ligado a ganho muscular e desempenho, finalidades que a resolução do CFM contraindica.

A gestrinona está na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (WADA) de 2026, na categoria de esteroides anabolizantes androgênicos, proibidos dentro e fora de competição. Em 2004, o laboratório antidoping da Universidade da Califórnia em Los Angeles descreveu a tetra-hidrogestrinona (THG), anabolizante obtido a partir da gestrinona e encontrado numa seringa ligada a doping.

Para os anabolizantes como grupo, a exposição de motivos da Resolução CFM nº 2.333/2023 lista efeitos cardiovasculares, doenças do fígado, depressão, infertilidade e disfunção erétil. O homem com sintomas de testosterona baixa tem outro caminho: investigação com exames e, se houver deficiência comprovada, reposição de testosterona com acompanhamento.

O que o CFM e a Anvisa dizem hoje sobre a gestrinona?

Conselho Federal de Medicina

A Resolução CFM nº 2.333/2023, publicada no Diário Oficial da União em 11 de abril de 2023, trata exclusivamente do uso de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo (art. 1º). Ela veda, no exercício da medicina, a “utilização de formulações de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos com a finalidade estética” e com a finalidade de melhora do desempenho esportivo, além de cursos, eventos e publicidade que façam apologia a esses usos (art. 3º).

A gestrinona aparece pelo nome na exposição de motivos, que trata do uso de anabolizantes, “incluindo a gestrinona”, com objetivos estéticos ou de desempenho. A mesma resolução afirma, no art. 2º, que as terapias de reposição hormonal estão indicadas em caso de deficiência específica comprovada.

Anvisa

Em dezembro de 2021, a Resolução RE nº 4.768 proibiu a propaganda da gestrinona ao público em geral. Em julho de 2022, a RDC nº 734 incluiu a substância na lista C5, de anabolizantes, da Portaria SVS/MS nº 344/1998, o que exige receita de controle especial. No voto que fundamentou a inclusão, a agência registrou que não havia medicamento de gestrinona registrado no país.

Em 21 de novembro de 2024, a Resolução RE nº 4.353 determinou: “Fica proibida a manipulação, comercialização e uso de implantes hormonais à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos, com a finalidade estética, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo”. A mesma resolução proibiu a propaganda ao público de implantes hormonais manipulados e revogou a suspensão mais ampla de outubro daquele ano.

Para os demais usos, a página da Anvisa sobre implantes hormonais, atualizada em abril de 2026, exige receita de controle especial com o CID da condição tratada, termo de responsabilidade assinado por médico, paciente e farmácia, e notificação de eventos adversos. Formulações manipuladas devem ser usadas apenas quando o médico avaliar que nenhum medicamento registrado atende à necessidade do paciente.

Sociedades médicas

Em 2021, a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Endometriose declararam que não recomendam implantes hormonais com gestrinona para o tratamento da endometriose, por falta de estudos de eficácia e segurança. No mesmo ano, segundo a Anvisa, a SBEM informou que não reconhece esses implantes como opção terapêutica para a endometriose. A Carta do Rio de Janeiro, de 2026, reforça esse quadro com uma ressalva importante: não se opõe à terapia hormonal e descreve a terapia hormonal da menopausa, quando corretamente indicada, como tratamento legítimo e eficaz.

Como é feita a avaliação antes de qualquer tratamento hormonal?

Na minha prática clínica, a conversa sobre qualquer hormônio começa por uma pergunta: qual problema estamos tentando resolver? Cansaço, ganho de peso e libido baixa têm causas muito diferentes. A avaliação inclui:

Quando existe deficiência hormonal comprovada, a reposição hormonal tem indicação, e a escolha do hormônio, da via e do acompanhamento é individual. O guia de reposição hormonal explica esse caminho, e o texto sobre implante hormonal feminino explica essa via. No consultório em Alto de Pinheiros, São Paulo, a decisão é construída assim: com dados, conversa e acompanhamento de perto.

Perguntas frequentes

Gestrinona é anticoncepcional?

Não. A gestrinona chegou a ser estudada por via oral como anticoncepcional, mas, segundo uma revisão sistemática de 2025, esse desenvolvimento acabou limitado pela margem terapêutica estreita e pela frequência de efeitos adversos. No Brasil, os únicos medicamentos de gestrinona já registrados eram para endometriose, ambos cancelados. A Anvisa ainda cita risco ao embrião. Para contracepção, o caminho são métodos registrados, escolhidos com o médico.

Chip da beleza é o mesmo que o Implanon?

Não. O implante de etonogestrel, conhecido pelo nome comercial Implanon, é um anticoncepcional registrado na Anvisa. A agência destaca que as regras de 2024 sobre implantes manipulados não mudaram nada para os implantes registrados, como esse. Já os implantes chamados de chip da beleza, segundo a Anvisa, não foram submetidos à avaliação da agência e costumam levar gestrinona ou outros hormônios.

Gestrinona é um hormônio bioidêntico?

Não. Bioidêntico é o hormônio com estrutura química igual à que o corpo produz, como o estradiol e a progesterona micronizada. A gestrinona é um esteroide sintético derivado da nandrolona, que o organismo humano não fabrica. Por isso, também não faz sentido chamá-la de reposição hormonal: não existe um hormônio próprio do corpo sendo reposto.

A gestrinona é proibida no Brasil?

Não de forma geral: a substância é controlada. Desde 2022 está na lista C5 de anabolizantes da Anvisa, que exige receita de controle especial, e desde 2021 sua propaganda ao público é proibida. Desde 2024, são proibidos a manipulação, a venda e o uso de implantes com anabolizantes ou androgênicos para estética, ganho de massa muscular ou desempenho. O CFM veda o uso estético e esportivo.

Uso implante de gestrinona e tenho efeitos colaterais. O que fazer?

A orientação da Anvisa é procurar o médico para avaliar o tratamento e notificar a reação no sistema da agência. Não tente retirar o implante por conta própria. Na consulta, o médico avalia os sintomas, pede exames como colesterol, triglicerídeos e enzimas do fígado e define a conduta. Leve o que souber sobre o implante, como data de colocação e composição.

Conclusão

A gestrinona é um esteroide sintético cuja indicação mais estudada é a endometriose, por via oral, com evidência de certeza baixa a muito baixa. Para estética, ganho de massa muscular, lipedema, menopausa ou reposição hormonal, não há indicação estabelecida, e, nas finalidades estéticas e esportivas, o CFM e a Anvisa restringem o uso de forma expressa. Isso não muda o fato de que a reposição hormonal, com deficiência comprovada, tem indicação reconhecida pela própria resolução do CFM.

Se você usa, pensa em usar ou só ouviu falar da gestrinona, o melhor passo é uma avaliação médica completa, com histórico, exames e um plano acompanhado de perto.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023. Diário Oficial da União, 11 abr. 2023, Seção 1, p. 226 (inclui exposição de motivos). https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2023/2333_2023.pdf
  2. Anvisa. Resolução-RE nº 4.353, de 21 de novembro de 2024. Diário Oficial da União, 22 nov. 2024, Seção 1. https://pesquisa.in.gov.br/imprensa/servlet/INPDFViewer?jornal=515&pagina=109&data=22/11/2024&captchafield=firstAccess
  3. Anvisa. Implantes hormonais (campanha Estética com segurança). Publicado em 26 nov. 2024, modificado em 27 abr. 2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/implantes-hormonais
  4. Anvisa. Anvisa faz proibição e publica alerta sobre hormônios implantáveis manipulados. 18 out. 2024 (cita a RE nº 4.768/2021 e a lista C5). https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/anvisa-faz-proibicao-e-publica-alerta-sobre-hormonios-implantaveis-manipulados
  5. Anvisa. Voto nº 100/2022/SEI/DIRE5: inclusão da gestrinona na Lista C5 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998. 2022. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/votos/2022/copy7_of_rop-12.2022/itens-2-1-5-e-2-4-6-voto-100-2022-dire5.pdf/@@display-file/file
  6. Anvisa. Resolução RDC nº 734, de 11 de julho de 2022 (inclui a gestrinona na Lista C5 da Portaria SVS/MS nº 344/1998). DOU 13 jul. 2022, Seção 1, p. 181. Reprodução pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. https://ses.sp.bvs.br/wp-content/uploads/2022/07/U_RS-MS-ANVISA-RDC-734_110722.pdf
  7. FEBRASGO, Comissão Nacional Especializada em Endometriose; Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva. Posicionamento sobre gestrinona. 30 nov. 2021. https://www.febrasgo.org.br/noticia/posicionamento-sobre-gestrinona-da-comissao-nacional-especializada-em-endometriose-da-febrasgo-e-sociedade-brasileira-de-endometriose-e-cirurgia-minimamente-invasiva/
  8. FEBRASGO, SBEM e outras sociedades. Carta do Rio de Janeiro: posicionamento das sociedades médicas sobre implantes hormonais manipulados. 1 out. 2026. https://www.febrasgo.org.br/noticia/carta-do-rio-de-janeiro-posicionamento-das-sociedades-medicas-sobre-implantes-hormonais-manipulados/
  9. Grammatis AL, Gibbons T, Anucha EN, Becker CM. Progesterone receptor modulators for endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2026;9:CD009881 (busca até 16 abr. 2026). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42746927/
  10. Gestrinone Italian Study Group. Gestrinone versus a gonadotropin-releasing hormone agonist for the treatment of pelvic pain associated with endometriosis: a multicenter, randomized, double-blind study. Fertil Steril. 1996;66(6):911-9. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8941054/
  11. Fagundes VL, Barreiro Marques NC, Franco de Lima A, et al. Safety Profile of Gestrinone: A Systematic Review. Pharmaceutics. 2025;17(5):638. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40430929/
  12. Amato AC, Amato JS, Benitti D. Lack of Scientific Evidence for the Use of Gestrinone in the Treatment of Lipedema: A Systematic Review. Cureus. 2025;17(11):e97213. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41426843/
  13. Malavasi A, Ribeiro CM, Agati LB, et al. Rationale and design of the GLADE study. Ann Med. 2025;57(1):2527352. Registro NCT05570786. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40641309/
  14. World Anti-Doping Agency (WADA). Prohibited List 2026, S1.1 Anabolic Androgenic Steroids. Em vigor desde 1 jan. 2026. https://www.wada-ama.org/en/prohibited-list
  15. Catlin DH, Sekera MH, Ahrens BD, et al. Tetrahydrogestrinone: discovery, synthesis, and detection in urine. Rapid Commun Mass Spectrom. 2004;18(12):1245-9. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15174177/

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